Gamereactor Internacional Português / Dansk / Svenska / Norsk / Suomi / English / Deutsch / Italiano / Español / Français / Nederlands
Gamereactor
Iniciar sessão






Esqueceu-se da password?
Não estou registado mas quero registar-me

Prefiro iniciar sessão com a conta de Facebook
Gamereactor Portugal
análises de filmes

Blade Runner 2049

Fascinante, poderoso, e imprevisível. Uma sequela digna para um clássico intemporal.

  • Texto: Mike Holmes

Blade Runner: Perigo Iminente é um dos grandes clássicos de ficção científica, servindo de plataforma de inspiração para muitos outros filmes e jogos. Mass Effect e Deus Ex são apenas dois exemplos onde a inspiração de Blade Runner é óbvia. Por ser um clássico intemporal, muitos dirão que o filme não necessitava de uma sequela, sobretudo pelo medo de que pudesse de alguma forma manchar o legado desse clássico. Felizmente Blade Runner 2049 não faz isso, e mesmo que não alcance o impacto do original, proporciona uma experiência cinemática digna do clássico de 1982.

Denis Villeneuve (O Primeiro Encontro, Sicario, Raptadas, O Homem Duplicado) volta a demonstrar a sua capacidade enquanto realizador de cinema, e Blade Runner 2049 é tão visualmente impressionante quanto poderiam esperar de um realizador conceituado ao leme de uma grande produção. Já os guionistas, Hampton Fancher e Michael Green, mantêm sempre presente a memória do filme original e honram a sua linha temporal, mesmo que não faça sentido hoje em dia. Não deixa de ser um alívio olhar para o filme original, e perceber como a previsão de Ridley Scott de 2019 estava longe da realidade, mas mesmo que essa previsão não seja correta, Blade Runner 2049 respeita-a completamente, mantendo o mesmo estilo e visão do futuro e da tecnologia.

A cinematografia de Blade Runner 2019 é esmagadora. Massivos arranha-céus partem um céu escuro, interligados por ruas sujas e molhadas pela chuva, tudo iluminado por berrantes neons num ataque gritante ao bom gosto. É um retrato desolador do futuro, visto através da lente de um realizador habituado a capturar grandes imagens no ecrã, e iluminado de forma genial por Roger Deakins (a forma como usa silhuetas merece um óscar). Villeneuve sabe que tem algo assombro e especial nas mãos, e mergulha completamente nesse mundo em conjunto com o espetador, talvez até excessivamente. Para um filme tão grande (2 horas e 44 minutos com créditos), gastar tanto tempo a mostrar paisagens e imagens quietas pode ser demasiado para muitos espetadores. É uma abordagem que privilegia o lado artístico em detrimento de algo mais tangível e imediato, e se alguns vão apreciar essa posição, outros podem aborrecer-se.

Para desfrutarem de Blade Runner 2049 não necessitam obrigatoriamente de ter visto o original, mas vão beneficiar de tiverem um conhecimento geral. Nesse filme é apresentada uma visão do futuro em que o homem construiu "replicantes", seres biologicamente muito idênticos aos humanos salvo pequenas mudanças (não se podem reproduzir e envelhecem mais rápido). Estes replicantes são usados como mão de obra descartável, sobretudo em colónias espaciais, e os que ficaram na Terra passaram a ser perseguidos devido a 'comportamentos' perigosos para os humanos. A personagem de Harrison Ford, Deckard, era um Blade Runner, um agente de uma divisão especial da polícia desenhada especificamente para caçar replicantes.

Blade Runner 2049

Blade Runner 2049 arranca 30 anos depois dos eventos do primeiro filme, numa era em que existem modelos mais avançados de replicantes. O protagonista, K, interpretado por Ryan Gosling, é precisamente um Blade Runner, tal como a personagem de Harrison Ford o era no original. A estória em si tem princípio, meio, e fim, com alguns momentos de puro génio. É imprevisível e surpreendente, e quanto menos souberem sobre o filme antes de irem, além dos eventos do filme anterior e de três pequenos episódios pré-filme (já lá vamos), melhor.

Harrison Ford mantém a sua nova tendência para regressar aos seus papéis clássicos - voltou a Han Solo, aqui assume novamente o papel de Deckard, e já confirmou novo Indiana Jones com Steven Spielberg. Não pensem contudo que Harrison Ford é uma grande parte do filme, porque não é. Aliás, o ator só aparece perto das duas horas de filme, e embora tenha um bom desempenho, não é uma peça crucial do enredo.

O coração dos dois filmes é a obra literária de Philip K Dick, Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?, colocando questões (normalmente sem respostas) sobre o significado da vida, consciência, e humanidade. Não vamos entrar em detalhes, mas Blade Runner 2049 consegue explorar estes temas com novas abordagens, embora uma estória paralela envolvendo Joi (interpretada por Ana de Armas) acabe por ser menos explorada do que gostaríamos. A personagem de Luv, que marca a estreia de Sylvia Hoeks no cinema norte-americano, é outra adição extremamente poderosa ao elenco, ainda que Jared Leto como Niander Wallace não tenha conseguido uma interpretação tão notável quanto os seus colegas.

Não podemos terminar sem mencionarmos a poderosa e intensa banda sonora de Hans Zimmer, um trabalho que certamente deixaria o compositor do primeiro filme, Vangelis, orgulhoso.

Blade Runner 2049 é uma experiência completa, uma que consegue dar eco às ideias do filme original, movendo a estória de forma surpreendente e com um final satisfatório. Pode acusar-se Villeneuve de se ter perdido excessivamente no lado artístico do filme, mas quando o resultado visual e sonoro é tão poderoso, é difícil culpá-lo por isso. É uma verdadeira obra de cinema, que será um deleite audio-visual para fãs do género, com uma narrativa que continuará a surpreender os espetadores até aos momentos finais. Alguns elementos podiam ter sido explorados com maior eficácia, mas Blade Runner 2049 é uma sequela digna para um clássico intemporal.

Antes de verem o filme, aconselhamos-vos a verem três peças complementares, libertadas pela Sony: Black Out 2022, 2036: Nexus Dawn, e 2048: Nowhere to Run. Não são obrigatórias, mas têm qualidade e enriquecem algumas personagens e eventos.

Blade Runner 2049Blade Runner 2049
Blade Runner 2049
08 Gamereactor Portugal
8 / 10
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor